Ação da Polícia Civil nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão no Vale do Sinos; investigação estima movimentação de cerca de R$ 3 milhões.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, a Operação Iceberg, contra uma organização criminosa investigada por extorquir proprietários de mais de 80 revendas de veículos no Vale do Sinos. A ofensiva alcançou principalmente estabelecimentos localizados em Novo Hamburgo, Estância Velha e Portão. Foram expedidos e cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 18 ordens de busca e apreensão, segundo informações divulgadas sobre a operação. (Berlinda News)
A investigação é conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo e aponta que o grupo teria criado um sistema de cobranças periódicas contra empresários do setor automotivo. Os comerciantes que não aceitassem fazer os pagamentos seriam ameaçados com represálias contra seus estabelecimentos. Segundo a apuração policial, aproximadamente 16 pessoas fariam parte da estrutura investigada, com diferentes funções dentro do esquema. (Berlinda News)
A operação mobilizou aproximadamente 110 policiais civis e 35 viaturas, numa ofensiva destinada tanto ao cumprimento das ordens judiciais quanto à obtenção de novas provas. A investigação também tenta identificar a movimentação financeira associada às cobranças e determinar a responsabilidade individual dos suspeitos. (Berlinda News)
Esquema teria movimentado cerca de R$ 3 milhões
As estimativas apresentadas durante a investigação indicam que o esquema poderia movimentar aproximadamente R$ 100 mil por mês por meio das cobranças ilegais. Considerando o período investigado, entre 2022 e 2026, a Polícia Civil estima que cerca de R$ 3 milhões possam ter circulado pela estrutura criminosa. Esses valores ainda fazem parte da apuração e poderão ser detalhados com o avanço da análise financeira. (Berlinda News)
Os investigadores encontraram indícios de que contas bancárias de terceiros teriam sido utilizadas para receber e movimentar parte dos recursos. A suspeita é de que pessoas usadas como “laranjas” ajudassem a dificultar a identificação do destino final do dinheiro. Além das extorsões, a Polícia Civil apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, agiotagem e tráfico de drogas relacionados aos investigados. (Berlinda News)
A dimensão financeira tornou-se uma das frentes importantes da Operação Iceberg. Identificar quem recebia os pagamentos, como os recursos eram distribuídos e onde posteriormente eram aplicados pode ajudar os investigadores a reconstruir a estrutura da organização e estabelecer a participação atribuída a cada integrante.
Empresários recebiam ameaças e cobranças periódicas
A investigação teve início em janeiro de 2026, após o relato de que o proprietário de uma revenda de veículos de Novo Hamburgo estaria sendo coagido por pessoas que se apresentavam como integrantes de uma organização criminosa. A partir desse caso, os policiais passaram a investigar denúncias semelhantes e chegaram a dezenas de estabelecimentos potencialmente atingidos pelo esquema. (Berlinda News)
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos exigiam pagamentos periódicos e ameaçavam promover represálias caso os empresários se recusassem a entregar o dinheiro. As extorsões teriam ocorrido de maneira sistemática em diferentes bairros de Novo Hamburgo e também nas cidades vizinhas de Estância Velha e Portão. (Berlinda News)
Outra prática investigada envolve o roubo de veículos pertencentes às próprias revendas. Depois do desaparecimento dos automóveis, os criminosos supostamente procuravam os responsáveis pelos estabelecimentos e exigiam dinheiro para devolver os veículos. Também teriam ocorrido ameaças de vandalismo contra as lojas em caso de recusa no pagamento. (Terra)
Polícia investiga estrutura organizada e ordens de dentro de presídios
As diligências apontaram para uma divisão de tarefas entre os integrantes. A estrutura teria lideranças, responsáveis pelas cobranças e pessoas encarregadas da movimentação financeira. Parte dos suspeitos estaria em liberdade, enquanto outros já estavam recolhidos ao sistema prisional. A investigação indica que algumas determinações continuariam sendo transmitidas mesmo de dentro das penitenciárias. (Berlinda News)
Entre os alvos está um empresário do setor calçadista que, segundo a investigação policial, exerceria função de liderança no esquema. As autoridades também investigam a possível ligação dos suspeitos com uma facção criminosa atuante no Rio Grande do Sul. Como se trata de investigação em andamento, as responsabilidades criminais individuais ainda dependerão do desenvolvimento do caso e das decisões judiciais. (GZH)
Com o material apreendido durante as buscas, a Polícia Civil deverá aprofundar a análise de documentos, aparelhos eletrônicos, movimentações bancárias e outras evidências. O objetivo é esclarecer a extensão das extorsões, identificar outras possíveis vítimas e determinar se há mais participantes envolvidos no esquema.
Operação Iceberg continua sob investigação
A operação desta sexta-feira representa uma das principais etapas ostensivas da investigação. Além das prisões e buscas, a polícia pretende utilizar as informações obtidas para reconstruir o fluxo financeiro e verificar outros crimes eventualmente relacionados à organização.
As investigações são coordenadas pelo delegado Tarcísio Lobato Kaltbach, titular da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo. O caso permanece em andamento e novas diligências poderão ocorrer conforme o conteúdo dos materiais recolhidos seja analisado. (Berlinda News)
Fontes
Berlinda — Operação cumpre nove prisões contra grupo que extorquia revendas no Vale do Sinos
GZH — Polícia prende suspeitos de ameaçar e extorquir donos de revendas de carros
Terra — Operação prende suspeitos de extorquir revendas de veículos no Vale do Sinos