Passageira que cuspiu em motorista de app diz que perdeu a razão e que houve uma ‘troca de violências’: ‘O que eu fiz foi terrível’

Ernesto Matalon
Ernesto Matalon
12 Min Read

Filmagem feita no carro do motorista mostra o momento em que ele foi xingado e revidou o cuspe da passageira. Caso aconteceu depois de uma discussão por causa de troco.

A passageira Giovana Ogando, que cuspiu em um motorista de aplicativo, diz que perdeu a razão ao cuspir em um motorista que pediu para que ela descesse do carro depois de uma discussão por causa de troco. Em um vídeo publicado por ela nas redes sociais, ela caracterizou o caso como uma “troca de violências”. Uma filmagem feita no carro do motorista mostra o momento em que Luiz Antônio de Oliveira, de 48 anos, é xingado por ela e revida o cuspe.

“Foi uma situação extremamente infeliz, uma provocação mútua na qual eu perdi a razão […]. Foi uma troca de violências recíprocas”, disse Giovanna.

“Eu sinto muito por ter feito isso […]. O que eu fiz foi terrível”, completou.

O caso aconteceu na sexta-feira (18), no Setor Sul. O vídeo em que Giovana pede desculpas pelo ocorrido foi publicado por ela em seu perfil pessoal de uma rede social, mas apagado horas depois (assista abaixo). Por meio de sua defesa, ela ainda alegou “falta de transparência” entre o aplicativo, o motorista e ela, uma vez que ao solicitar a corrida, teria aparecido a opção que ela pagasse em dinheiro (veja a nota completa ao final da reportagem). Ao g1, o motorista desabafou ter se sentido humilhado com a situação e justificou que revidou o cuspe por impulso.

“Tem muita gente boa, mas tem gente que quer humilhar porque a gente é motorista de aplicativo e eles acham que pode fazer tudo o que querem”, desabafou Luiz.
Em nota, a Uber lamentou o caso e considerou inaceitável o comportamento do motorista e da passageira. As contas foram suspensas enquanto é feita uma apuração. “Esperamos que motoristas parceiros e usuários não se envolvam em brigas e discussões e que contatem imediatamente as autoridades policiais sempre que se sentirem ameaçados ou entenderem estar sendo vítimas de ações ilegais, como fraudes ou golpes”, diz o comunicado.

Passageira cospe em motorista e ele revida
No vídeo da viagem, que durou 2 minutos e 59 segundos, é possível ver o momento em que a mulher entra no carro junto a outra passageira. O cuspe aconteceu após o motorista pedir para elas descerem do carro depois de uma discussão por causa de troco.

Quando as mulheres entram no veículo, é possível ver que Giovana já questiona o motorista sobre ele ter “R$ 30 de troco”. Em resposta, ele sugere que a melhor opção é que ela fizesse o pagamento via PIX, por ele não ter o troco pedido por ela.

A mulher então pede que o motorista coloque o valor da viagem dela para ser cobrado dela na próxima corrida que ela fizer no aplicativo. No entanto, Luiz não aceita essa forma de pagamento e diz para as passageiras descerem e pegarem “outro carro”.

Em seguida, é possível ver na filmagem que a mulher se irrita e xinga o motorista. Quando ele retruca, ela cospe no homem, que responde com outro cuspe em direção à ela.

“Foi impulso”, justificou o homem, quanto ao cuspe devolvido.
Quando a mulher sai do carro, Luiz também sai. Ele justificou que saiu “para evitar que ela quebrasse a porta do carro”.

“Ela ficou batendo na porta do carro. Ela estava com uma senhora que impediu que ela quebrasse o carro. Tentei ligar para a polícia, mas na hora meu telefone travou”, contou.
Já a mulher alega que, neste momento, o motorista teria “ido para cima das passageiras em tom ameaçador, ao que se pode escutar os gritos ao fundo do vídeo”.

A passageira publicou o vídeo em suas redes sociais no domingo (20), mas apagou horas depois. Além de considerar o caso como uma situação “extremamente infeliz”, Giovana Ogando afirmou que se arrependeu de ter cuspido no motorista logo depois que saiu do carro.

“Eu me arrependi não só agora, nesse momento, eu me arrependi instantaneamente. Na hora que eu saí do carro e percebi o que tinha acontecido. Eu já me senti extremamente envergonhada, realmente sem chão”, disse.
Ela ainda justificou que, no momento em que entrou no carro, estava passando por um momento de vulnerabilidade.

“Naquela situação naquele dia eu estava passando por situações muito vulneráveis. Eu tinha saído de uma delegacia na qual eu estava lidando com um atentado que fizeram contra a vida da minha mãe”, revelou.

Problemas com passageiros
Ao g1, Luiz explicou que está cadastrado na plataforma há dois anos e meio, mas há seis meses trabalha de forma fixa, por estar desempregado. Segundo ele, nesse período, acabou já tendo problemas com outros passageiros em situações semelhantes. À reportagem, ele ainda justificou que, por causa disso, tem uma câmera no carro e grava todas as corridas que faz, com o objetivo de garantir a segurança dele.

“Isso de pagar depois nem toda vez a plataforma aceita. Se o passageiro tiver uma pendência, a plataforma não aceita e a viagem é terminada”, explicou Luiz.

A Uber, inclusive, explicou, em nota, que não existe a “função de pagar na próxima” no aplicativo, e esclareceu que o app permite que “o motorista informe as situações em que o usuário não honrou o pagamento”.

“Isso cria um débito na conta do usuário, mas é uma opção do motorista, não uma escolha que cabe ao usuário. Esse recurso foi criado em 2019 pensando em ajudar os motoristas parceiros com troco e não a incentivar que usuários deixem de pagar viagens”, escreveu a empresa.

Nota da defesa da passageira na íntegra:
“Com relação ao vídeo que circula na rede social, gostaríamos de esclarecer que diferente do que está na legenda do texto, não houve calote. O que aconteceu, que ao entrar no carro de aplicativo informei que tinha comigo uma nota de 50 reais e que não possuía saldo para pix, mas que estava disposta a pagar a mais, conforme se escuta no início do vídeo. Entendemos que ouve uma falta de transparência entre a plataforma, o motorista e a cliente, pois ao cliente apareceu a opção pagamento por dinheiro e na ausência de troco a opção de pagamento posterior, mas o motorista, entretanto, além de dizer que não trabalhava dessa forma, puxou o freio de mão de forma brusca e mandou que as passageiras descessem. Entendo tive uma reação exagerada ao cuspir no motorista, sobre essa atitude isso me arrependo profundamente. Os xingamentos e cuspes foram recíprocos, mas que ao descer do veículo, o motorista foi para cima das passageiras em tom ameaçador, ao que se pode escutar os gritos ao fundo do vídeo. Ressaltamos que a conduta dos envolvidos está permeada de excessos, mas que o motorista de aplicativo ao divulgar um vídeo, onde preserva sua imagem com o logo da rede social e expõe as passageiras, exagerou novamente em suas razões, pois expos uma terceira pessoa, a segunda passageira, que nada tinha a ver com a discursão e está tendo sua imagem viralizada. Seres humanos estão passiveis de errar, mas jamais um erro pode ser justificativo para o cometimento de outro maior. Houve uma violação de imagem, uma vez que não é permitido a divulgação de gravações sem consentimento dos demais envolvidos e sua publicação em redes sociais causam prejuízos instantâneos. Por fim, gostaria de pedir desculpas publicamente pelo acontecido, mas ressalvando que não foi um erro unilateral.”

Nota da Uber na íntegra:
“A Uber lamenta o caso e considera inaceitável o comportamento das partes registrado no vídeo compartilhado. As contas foram suspensas enquanto aguardamos pela apuração do caso.

Esperamos que motoristas parceiros e usuários não se envolvam em brigas e discussões e que contatem imediatamente as autoridades policiais sempre que se sentirem ameaçados ou entenderem estar sendo vítimas de ações ilegais, como fraudes ou golpes. Ofender e agredir a outra parte são claras violações do Código da Comunidade Uber e são atos que podem levar à desativação permanente das contas envolvidas.

Os motoristas parceiros têm permissão para instalar câmeras ou utilizar dispositivos de gravação de imagens para fins de segurança e são claramente instruídos a como tratar tal tema do ponto de vista de respeito à privacidade do usuário. Isso inclui a proibição expressa de gravar viagens a fim de publicá-las nas redes sociais ou em qualquer outro fórum público. Tal prática também representa uma clara violação do Código da Comunidade que pode levar à desativação.

Por fim, é importante esclarecer que não existe função de “pagar na próxima”. O app apenas permite que o motorista informe as situações em que o usuário não honrou o pagamento. Isso cria um débito na conta do usuário, mas é uma opção do motorista, não uma escolha que cabe ao usuário. Esse recurso foi criado em 2019 pensando em ajudar os motoristas parceiros com troco e não a incentivar que usuários deixem de pagar viagens. Como em qualquer serviço, a responsabilidade pelo pagamento é do tomador do serviço. Solicitar viagens sem fazer o pagamento também pode levar ao bloqueio da conta do usuário.

A Uber não recomenda que motoristas utilizem essa opção com frequência e sem real necessidade. A Uber orienta que motoristas e usuários evitem conflitos e que, sempre que necessário, as partes envolvidas reportem o ocorrido no aplicativo pelo Menu Ajuda.”

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